Ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot já fazem parte da rotina de muitos estudantes e pesquisadores, cada vez mais presentes na rotina de quem produz trabalhos acadêmicos com apoio de IA. Elas podem auxiliar na organização de ideias, revisão de textos, tradução, programação, análise de dados e outras etapas de um trabalho acadêmico.
Mas uma dúvida se tornou cada vez mais frequente:
é preciso declarar uso de IA no TCC?
A resposta curta é: dependendo da instituição, da finalidade e da forma como a IA foi utilizada, sim.
O ponto mais importante, entretanto, é entender que não existe uma única “declaração ABNT de uso de IA” válida para todas as faculdades brasileiras.
A ABNT, as políticas de integridade científica, as regras da universidade e as determinações do curso ou programa cumprem funções diferentes.
Além disso, o cenário brasileiro mudou significativamente com a Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq, instituída pela Portaria CNPq nº 2.664/2026, que passou a estabelecer expressamente a declaração do uso de Inteligência Artificial Generativa no âmbito das pesquisas alcançadas por suas diretrizes.
Neste guia você entenderá quando declarar o uso de IA, onde colocar essa informação, como descrever corretamente a participação do ChatGPT ou de outra ferramenta e encontrará modelos de declaração que podem ser adaptados ao seu trabalho.
RESPOSTA RÁPIDA
Se você utilizou IA generativa de maneira relevante na elaboração, revisão, análise, programação, tradução ou produção de elementos do trabalho acadêmico, a conduta mais segura é verificar as normas da sua instituição e informar o uso com transparência.
Declarar a IA, entretanto, não significa que qualquer forma de utilização seja automaticamente permitida.
É permitido usar ChatGPT ou outra inteligência artificial no TCC?
Não existe uma resposta universal aplicável a todas as instituições.
O uso pode ser permitido, limitado ou submetido a condições específicas pela faculdade, universidade, programa de pós-graduação, periódico ou professor responsável.
Por isso, antes de utilizar ChatGPT, Gemini, Claude, Copilot ou qualquer outra IA generativa em um TCC, dissertação, tese ou artigo científico, o estudante deve consultar as normas aplicáveis ao seu trabalho.
Também é importante distinguir usar uma ferramenta de IA como apoio de transferir para ela a autoria intelectual do trabalho.
Uma IA pode, por exemplo, auxiliar na revisão linguística, organização de informações ou programação. Isso não significa que possa substituir a análise crítica, a interpretação dos resultados ou a responsabilidade científica do pesquisador.
Para quem quer aproveitar a ferramenta para estruturar capítulos com mais qualidade, vale conferir como transformar respostas do ChatGPT em capítulos científicos de alto impacto, sempre com revisão crítica do autor.
O CNPq estabelece que os autores permanecem integralmente responsáveis pelo conteúdo final, inclusive por imprecisões ou problemas decorrentes da utilização de IA generativa.
Portanto:
IA pode auxiliar o pesquisador. Não pode assumir a responsabilidade acadêmica pelo trabalho.
É obrigatório declarar o uso de IA no TCC?
Depende da norma aplicável.
Não é correto afirmar simplesmente que:
“A ABNT obriga todo aluno brasileiro a declarar o ChatGPT no TCC.”
Essa afirmação confunde normalização acadêmica com políticas de integridade científica.
Há instituições que já possuem regras próprias exigindo declaração.
A Universidade Federal do Ceará (UFC), por exemplo, possui regulamentação para trabalhos acadêmicos da pós-graduação e disponibiliza uma Declaração sobre o uso ou não uso de Inteligência Artificial.
Em agosto de 2026, a Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP) também comunicou a inclusão obrigatória de uma declaração de uso de inteligência artificial nos TCCs destinados à Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos da USP.
O próprio comunicado informa que o modelo adotado se baseia na Portaria CNPq nº 2.664/2026.
Portanto, a primeira regra é simples:
Antes de usar qualquer modelo encontrado na internet, consulte a regulamentação da sua própria instituição.
Se existir modelo oficial, ele deve ter prioridade sobre modelos genéricos.
O que mudou com a Política de Integridade do CNPq?
Este é um dos pontos mais importantes para compreender o cenário atual.
Em 6 de março de 2026, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico instituiu, por meio da Portaria CNPq nº 2.664/2026, sua Política de Integridade na Atividade Científica.
Entre as diretrizes referentes à pesquisa científica, o CNPq estabelece a necessidade de declarar o uso de ferramentas de Inteligência Artificial Generativa em qualquer fase da pesquisa, especificando a ferramenta utilizada e sua finalidade.
As fases mencionadas incluem:
- concepção;
- redação;
- análise de dados;
- submissão.
Isso demonstra uma mudança importante no tratamento institucional da IA na pesquisa científica brasileira.
A questão deixou de ser simplesmente:
“posso usar ChatGPT?”
e passou também a envolver:
“como tornar esse uso transparente e verificável?”
É necessário, porém, interpretar essa política dentro de seu âmbito de aplicação. Ela não deve ser transformada indevidamente na afirmação de que existe uma norma ABNT universal obrigando todo TCC brasileiro a possuir a mesma declaração.
ABNT, CNPq e faculdade são a mesma coisa?

Não.
Essa distinção evita boa parte da confusão encontrada na internet.
| Instância | Função principal |
|---|---|
| ABNT | Estabelece normas técnicas utilizadas na apresentação, documentação, citações e referências acadêmicas |
| CNPq | Estabelece políticas e diretrizes relacionadas à integridade da atividade científica em seu âmbito |
| Universidade/faculdade | Pode regulamentar o uso de IA em seus trabalhos acadêmicos |
| Curso/programa | Pode estabelecer procedimentos e formulários específicos |
| Periódico científico | Define política editorial própria para manuscritos submetidos |
| Orientador/professor | Atua dentro das normas institucionais e pode estabelecer critérios acadêmicos compatíveis com elas |
Consequentemente, não existe contradição quando duas universidades adotam procedimentos diferentes.
O aluno deve cumprir a regulamentação aplicável à instituição na qual seu trabalho será apresentado.
A ABNT exige uma declaração de uso de inteligência artificial?
Até o momento, não se deve tratar como existente uma “declaração ABNT de inteligência artificial” universal e padronizada para TCCs.
Isso não significa que as normas da ABNT sejam irrelevantes.
Elas continuam fundamentais para a estrutura e apresentação dos trabalhos acadêmicos e para a elaboração de citações e referências conforme as normas adotadas pela instituição.
Para revisar esses fundamentos, consulte nosso guia completo sobre normas da ABNT para trabalhos acadêmicos.
O problema ocorre quando alguém transforma uma recomendação institucional ou um modelo criado por determinada universidade em suposta regra geral da ABNT.
São coisas diferentes.
ATENÇÃO
Um “modelo de declaração de IA adaptado às normas acadêmicas” não deve ser apresentado como “modelo oficial da ABNT” se a ABNT não estabeleceu aquele formulário específico.
Quando o uso de IA deve ser declarado?

Não existe uma tabela universal capaz de substituir a política da sua instituição. Entretanto, alguns usos interferem muito mais diretamente na produção acadêmica do que outros.
Como orientação prática:
| Uso da inteligência artificial | Conduta recomendada |
|---|---|
| Corretor ortográfico convencional | Verificar norma institucional; geralmente possui baixa interferência autoral |
| Revisão gramatical realizada por IA generativa | Informar quando exigido ou quando a intervenção for substancial |
| Brainstorming e geração de ideias | Recomenda-se transparência quando influenciar significativamente o trabalho |
| Organização da estrutura do texto | Declarar quando houver participação relevante |
| Reformulação de parágrafos | Declarar |
| Produção de trechos textuais | Declarar e verificar se o uso é permitido |
| Tradução por IA | Declarar conforme política institucional/editorial |
| Resumo de artigos | Declarar quando integrar o processo de pesquisa e conferir o documento original |
| Busca ou triagem de literatura | Declarar quando relevante e verificar individualmente todas as fontes |
| Geração ou depuração de código | Declarar |
| Apoio à análise de dados | Declarar |
| Produção de tabelas e gráficos | Declarar quando a IA participar de sua geração |
| Geração de imagens | Declarar |
| Interpretação científica dos resultados | Uso de alto risco; não deve substituir a análise humana |
| Produção integral do TCC | A declaração não elimina problemas relacionados à autoria e integridade acadêmica |
A última situação merece atenção especial.
Declarar que uma IA produziu um trabalho inteiro não transforma automaticamente essa prática em academicamente aceitável.
Transparência e autorização são questões diferentes.
O que deve constar em uma declaração de uso de IA?
Uma boa declaração de uso de IA deve permitir que outra pessoa compreenda qual ferramenta foi utilizada, para quê e até onde ela interferiu no trabalho.
Sempre que aplicável, informe:
- nome da ferramenta;
- empresa ou desenvolvedor;
- modelo ou versão, quando conhecido;
- período ou data de utilização;
- finalidade;
- etapas do trabalho em que foi utilizada;
- seções afetadas;
- procedimentos de conferência e validação humana;
- limites da participação da ferramenta.
A declaração disponibilizada pelo Portal de Periódicos da Unicamp, por exemplo, solicita informações sobre as ferramentas utilizadas, etapas de utilização, seções do manuscrito e limites do uso.
O documento também mantém com o autor a responsabilidade pela originalidade, precisão, validade e integridade ética do manuscrito.
Modelos de declaração de uso de IA no TCC
Os modelos abaixo são referenciais.
Eles não substituem formulários obrigatórios fornecidos pela universidade.
Se sua instituição possuir declaração própria, utilize prioritariamente o documento institucional.
Modelo 1 — IA utilizada para revisão textual
Declaro que utilizei a ferramenta [NOME DA FERRAMENTA], desenvolvida por [EMPRESA], exclusivamente como apoio à revisão linguística deste trabalho, incluindo sugestões de clareza, correção gramatical e aprimoramento da redação. As sugestões foram analisadas individualmente e o conteúdo final foi revisado e validado pelo autor, que assume integral responsabilidade pelas informações, argumentos, fontes e conclusões apresentadas.
Modelo 2 — IA utilizada na organização e estruturação do trabalho
Declaro a utilização da ferramenta [NOME DA FERRAMENTA] como recurso auxiliar para organização preliminar de ideias e estruturação de tópicos deste trabalho. As sugestões produzidas pela ferramenta foram submetidas à análise crítica e não substituíram a pesquisa bibliográfica, a leitura das fontes utilizadas nem a elaboração intelectual do autor. O conteúdo final foi desenvolvido, conferido e validado pelo autor.
Modelo 3 — IA utilizada para tradução
Declaro que utilizei a ferramenta [NOME DA FERRAMENTA] como apoio à tradução de trechos entre os idiomas [IDIOMA DE ORIGEM] e [IDIOMA DE DESTINO]. Todas as traduções utilizadas na versão final foram posteriormente conferidas e revisadas, permanecendo sob responsabilidade do autor a fidelidade e adequação terminológica do conteúdo apresentado.
Modelo 4 — IA utilizada para programação ou análise de dados
Declaro que utilizei a ferramenta [NOME DA FERRAMENTA] como recurso auxiliar na elaboração, revisão e/ou depuração de códigos empregados em [DESCREVER A FINALIDADE]. Os códigos e resultados produzidos foram posteriormente testados, conferidos e validados pelo autor. A ferramenta não substituiu a interpretação científica dos resultados, que permaneceu sob responsabilidade integral do pesquisador.
Modelo 5 — Uso combinado de IA em diferentes etapas
Declaro que utilizei a ferramenta [NOME DA FERRAMENTA], desenvolvida por [EMPRESA], durante determinadas etapas da elaboração deste trabalho. A ferramenta foi empregada para [DESCREVER: organização de ideias, revisão linguística, tradução, programação, análise auxiliar etc.], especificamente nas etapas/seções [IDENTIFICAR]. Todo conteúdo produzido ou modificado com auxílio da ferramenta foi submetido à revisão crítica e conferência humana. As fontes bibliográficas foram verificadas nos documentos originais e as decisões metodológicas, interpretações, argumentos e conclusões permanecem sob responsabilidade integral do autor.
Onde colocar a declaração de IA no TCC?
Não existe uma posição única que possa ser indicada para todas as universidades.
A localização dependerá da regulamentação institucional.
A declaração poderá aparecer, por exemplo:
- na metodologia;
- em seção específica;
- em documento separado;
- em formulário institucional;
- em local determinado pelo manual acadêmico;
- como informação adicional exigida no depósito ou submissão.
Alguns periódicos científicos estabelecem a metodologia como local de declaração, especialmente quando a IA participou da geração, análise ou revisão do conteúdo.
Outras instituições adotam formulários independentes.
Por isso, evite simplesmente copiar a localização utilizada em um TCC de outra faculdade.
Qual regra seguir?
Utilize esta ordem prática:
- Regulamento da instituição
- Manual de TCC ou pós-graduação
- Norma específica do curso/programa
- Orientação oficial da biblioteca ou repositório
- Orientador
Na existência de formulário institucional obrigatório, não o substitua por um texto encontrado na internet.
Como declarar o ChatGPT na metodologia?
Quando a IA participou efetivamente de um procedimento metodológico, simplesmente anexar uma declaração genérica pode não ser suficiente.
O leitor precisa entender como a ferramenta participou do método.
Um exemplo de redação seria:
Durante a etapa de tratamento computacional dos dados, utilizou-se a ferramenta [NOME/MODELO] como apoio à elaboração e depuração de scripts destinados a [FINALIDADE]. Todo código sugerido pela ferramenta foi revisado e testado antes de sua utilização. A inteligência artificial não foi empregada para substituir a análise ou interpretação científica dos resultados, que permaneceu sob responsabilidade dos pesquisadores.
Outro exemplo, para revisão textual:
Após a elaboração da versão preliminar do manuscrito pelos autores, utilizou-se [FERRAMENTA] como ferramenta auxiliar de revisão linguística, com finalidade de identificar problemas de clareza, gramática e fluidez textual. Todas as sugestões foram avaliadas pelos autores antes de sua incorporação à versão final.
Observe a diferença.
Não basta escrever:
“Foi utilizado ChatGPT.”
É necessário explicar:
qual ferramenta + para quê + em qual etapa + com quais limites + como ocorreu a supervisão humana.
Preciso guardar os prompts utilizados?
A necessidade dependerá da política da instituição, do periódico e da natureza da pesquisa.
Entretanto, em usos metodologicamente relevantes, preservar registros pode ser uma boa prática de rastreabilidade.
É possível registrar:
- ferramenta;
- modelo;
- data;
- prompts relevantes;
- respostas utilizadas;
- alterações realizadas pelo pesquisador;
- procedimento de validação.
Isso é particularmente importante quando a IA participa de código, classificação, processamento de informações ou procedimentos que precisam ser compreendidos ou reproduzidos.
Não significa que todo estudante precise anexar dezenas de páginas de conversas com IA ao TCC.
A documentação deve ser proporcional à relevância metodológica da utilização.
Como citar ChatGPT segundo a ABNT?
Esta pergunta exige uma distinção fundamental.
Declarar o uso de uma IA e citar uma fonte são procedimentos diferentes.
Se o ChatGPT foi utilizado como ferramenta auxiliar de revisão, por exemplo, pode existir necessidade de declaração sem que suas respostas sejam tratadas como fonte científica do trabalho.
Além disso, não é adequado afirmar que existe uma única “referência ABNT oficial do ChatGPT” aplicável indistintamente a todas as situações.
A forma de registrar uma ferramenta digital deve observar:
- a norma bibliográfica adotada;
- a natureza do conteúdo;
- a possibilidade de recuperação da informação;
- as regras da instituição;
- a finalidade da utilização.
Por isso, se sua faculdade disponibilizar orientação específica sobre como registrar ferramentas de IA nas referências ou notas, siga o padrão institucional.
Declarar IA não é a mesma coisa que referenciar IA
Imagine duas situações.
Situação A
O estudante escreve todo o capítulo e utiliza uma IA apenas para revisão linguística.
Nesse caso, a ferramenta participou do processo de elaboração, mas não necessariamente funciona como fonte teórica.
Situação B
O pesquisador analisa sistematicamente respostas produzidas por modelos de IA como objeto de sua pesquisa.
Nesse caso, o registro documental da interação assume outra função metodológica.
Portanto, não existe uma solução bibliográfica única para todos os usos.
Posso usar o ChatGPT para buscar referências científicas?
Pode ser utilizado como ferramenta auxiliar de descoberta, mas nunca como garantia de que uma referência realmente existe.
Modelos generativos podem produzir:
- autores inexistentes;
- títulos incorretos;
- DOI falsos;
- periódicos errados;
- datas equivocadas;
- combinação de elementos pertencentes a diferentes artigos.
A regra prática deve ser:
Nunca inclua uma referência no TCC apenas porque uma inteligência artificial informou que ela existe.
Localize o artigo, livro, documento ou norma na fonte original.
Depois confira:
autor → título → periódico/editora → ano → volume → páginas → DOI/URL.
Somente então utilize a referência.
A IA pode auxiliar a pesquisa.
Ela não substitui a verificação bibliográfica.
Usar ChatGPT no TCC é plágio?
Não necessariamente.
Utilizar inteligência artificial e cometer plágio não são conceitos equivalentes.
Para entender melhor os limites entre apoio de ferramentas e cópia indevida, veja também o guia sobre como evitar plágio no TCC.
Entretanto, o uso inadequado de IA pode resultar em problemas sérios de integridade acadêmica.
Entre as situações de risco estão:
- apresentar texto produzido por terceiros ou sistemas como produção intelectual própria em desacordo com as regras institucionais;
- utilizar referências inexistentes;
- fabricar informações;
- alterar ou fabricar dados;
- ocultar participação substancial de IA quando a declaração é exigida;
- reproduzir conteúdo protegido sem a devida atribuição;
- delegar à IA decisões científicas que deveriam ser tomadas pelo pesquisador.
O CNPq também deixa claro que o pesquisador permanece responsável pelo conteúdo final, incluindo problemas decorrentes da utilização de IA.
Portanto, dizer:
“foi o ChatGPT que errou”
não transfere a responsabilidade acadêmica.
A inteligência artificial pode ser autora ou coautora?
Ferramentas de IA não devem ser tratadas como autoras humanas de trabalhos científicos.
Autoria acadêmica envolve responsabilidade pelo conteúdo, capacidade de responder por sua integridade, participação intelectual e outras obrigações que uma ferramenta de inteligência artificial não pode assumir.
Assim, ChatGPT, Gemini, Claude ou outras ferramentas não substituem a identificação dos autores humanos responsáveis pela pesquisa.
Declarar uso de IA no TCC significa que qualquer uso está permitido?
Não.
Este talvez seja o ponto mais importante deste guia.
Transparência não é sinônimo de autorização.
Imagine que determinada universidade proíba que uma IA produza integralmente capítulos de um TCC.
O aluno não poderia contornar essa regra simplesmente acrescentando:
“Declaro que o capítulo foi produzido pelo ChatGPT.”
A declaração torna o procedimento transparente.
Ela não revoga a norma da instituição.
Por isso, sempre existem duas perguntas:
- Este uso é permitido?
- Se for permitido, como devo declará-lo?
A primeira deve ser respondida antes da segunda.
E se minha faculdade não tiver nenhuma regra sobre inteligência artificial?

Não conclua imediatamente que qualquer utilização está autorizada.
Siga este roteiro:
1. Consulte o manual do TCC
Procure termos como: “inteligência artificial”, “IA generativa”, “ChatGPT”, “integridade acadêmica”, “autoria” e “plágio”.
2. Consulte o regulamento do curso
Algumas regras não aparecem no manual geral da instituição.
3. Verifique a biblioteca ou repositório institucional
Bibliotecas universitárias frequentemente publicam orientações específicas para depósito de TCCs, dissertações e teses.
4. Consulte o orientador
Explique exatamente como pretende utilizar a ferramenta.
Em vez de perguntar:
“Posso usar ChatGPT?”
pergunte:
“Posso utilizar o ChatGPT apenas para revisar clareza e gramática depois que eu elaborar o texto e declarar esse procedimento?”
A segunda pergunta permite uma resposta muito mais precisa.
5. Na ausência de regulamentação específica, adote transparência proporcional ao uso
Quanto maior a interferência da IA no conteúdo acadêmico, maior a necessidade de documentar cuidadosamente sua participação.
Universidades brasileiras já exigem declaração de IA?
Sim. Já existem exemplos concretos.
EESC-USP
Em agosto de 2026, a Escola de Engenharia de São Carlos da USP comunicou a inclusão obrigatória de declaração de uso de inteligência artificial na elaboração de TCCs destinados à Biblioteca Digital de Trabalhos Acadêmicos da USP.
A instituição informou que o modelo se baseia na Política de Integridade do CNPq.
Universidade Federal do Ceará
A UFC regulamentou o uso de inteligência artificial em trabalhos acadêmicos de sua pós-graduação e disponibiliza declaração específica sobre o uso ou não uso dessas ferramentas.
Programas da universidade já incorporaram o documento aos procedimentos relacionados às bancas acadêmicas.
Unicamp
O Portal de Periódicos Eletrônicos Científicos da Unicamp disponibiliza modelo de declaração de uso de IA que solicita identificação das ferramentas, etapas, seções afetadas e limites da utilização.
Esses exemplos demonstram por que não é adequado utilizar um único modelo como se fosse obrigatório para todas as instituições brasileiras.
A tendência é de regulamentação institucional cada vez mais específica.
Checklist antes de entregar um TCC que utilizou IA
Antes da entrega, confira:
- ☐ Consultei a política da minha instituição sobre IA.
- ☐ Verifiquei o manual de TCC ou regulamento do programa.
- ☐ Informei meu orientador sobre usos relevantes.
- ☐ Identifiquei corretamente a ferramenta utilizada.
- ☐ Expliquei a finalidade do uso.
- ☐ Identifiquei as etapas em que a ferramenta participou.
- ☐ Revisei todo conteúdo produzido ou alterado com auxílio de IA.
- ☐ Conferi todas as referências nas fontes originais.
- ☐ Não utilizei referências inventadas ou não verificadas.
- ☐ Mantive sob responsabilidade humana a interpretação científica.
- ☐ Utilizei o modelo institucional de declaração, quando existente.
- ☐ Mantive registros dos procedimentos relevantes quando necessários à rastreabilidade.
Perguntas frequentes sobre IA no TCC
A ABNT obriga a declarar ChatGPT no TCC?
Não se deve afirmar que existe uma declaração ABNT universal de uso de ChatGPT obrigatória para todo TCC. A exigência pode decorrer de políticas de integridade, regulamentos institucionais, programas de pós-graduação ou regras editoriais. Consulte sempre a regulamentação aplicável à sua instituição.
Preciso declarar se usei ChatGPT apenas para corrigir português?
Depende da política institucional e do grau de intervenção da ferramenta. Um corretor ortográfico convencional e uma IA generativa capaz de reescrever parágrafos não são necessariamente equivalentes. Se a IA realizou alterações substanciais na redação, a opção mais transparente é verificar a regra institucional e declarar quando aplicável.
Onde colocar a declaração de IA?
Não existe um local universal. Ela pode aparecer na metodologia, em seção específica, formulário separado ou outro local determinado pela instituição.
Posso colocar ChatGPT nas referências?
Depende da natureza da utilização e das regras bibliográficas da instituição. Usar uma IA como ferramenta não significa automaticamente que ela seja uma fonte científica. Declaração de uso e referência bibliográfica são procedimentos diferentes.
Posso usar IA para escrever a introdução do TCC?
Primeiro verifique a política da sua instituição. A geração substancial de texto acadêmico pode envolver questões de autoria e integridade. Mesmo quando determinada utilização for permitida, a responsabilidade pela argumentação, fontes e conteúdo permanece com o autor.
Posso usar ChatGPT na metodologia?
Pode haver usos legítimos, por exemplo, para apoio à programação ou determinados procedimentos computacionais, desde que permitidos e devidamente descritos. A IA não deve ocultar nem substituir decisões metodológicas cuja responsabilidade pertence ao pesquisador.
É preciso informar qual versão da IA foi usada?
Quando disponível e relevante, registrar ferramenta, modelo ou versão, período e finalidade aumenta a transparência e a rastreabilidade. Algumas políticas institucionais já solicitam esse tipo de informação.
A banca consegue descobrir que usei inteligência artificial?
Não baseie sua conduta acadêmica na tentativa de “passar por um detector”. Detectores automáticos não devem ser tratados como instrumentos infalíveis para determinar autoria. A questão relevante é se o uso realizado respeita as regras da instituição e pode ser explicado e defendido pelo estudante.
Se eu declarar o ChatGPT, estou protegido contra acusação de plágio?
Não. Uma declaração não legitima plágio, fabricação de dados, referências falsas ou qualquer procedimento proibido pela instituição. Ela documenta o uso da ferramenta; não elimina a responsabilidade do autor.
Posso usar o modelo de declaração deste artigo?
Sim, como referência, desde que sua instituição não possua formulário obrigatório próprio. Os modelos devem ser adaptados para refletir exatamente como a ferramenta foi utilizada. Nunca declare um procedimento diferente daquele que realmente ocorreu.
Conclusão
A discussão sobre inteligência artificial nos trabalhos acadêmicos já não deve ser reduzida à pergunta “pode ou não pode usar ChatGPT no TCC?”.
A questão central é mais ampla:
qual uso foi realizado, ele é permitido pela instituição, como interferiu no trabalho e como será declarado de forma transparente?
A Política de Integridade na Atividade Científica do CNPq e as regulamentações que universidades brasileiras vêm adotando demonstram um movimento claro em direção à transparência, à rastreabilidade e à responsabilidade humana.
Ao mesmo tempo, é necessário evitar informações incorretas.
Não existe uma única “declaração ABNT de IA” que possa ser copiada indiscriminadamente para qualquer TCC.
Cada estudante deve verificar as normas de sua instituição e, quando houver uso relevante de IA, identificar a ferramenta, finalidade, etapas envolvidas e procedimentos de revisão e validação.
Acima de tudo, permanece uma regra essencial:
a inteligência artificial pode auxiliar o trabalho acadêmico, mas a responsabilidade intelectual, metodológica e ética continua sendo humana.
RESUMO
Não existe uma declaração ABNT única e obrigatória para todo TCC brasileiro. A exigência de declarar o uso de IA depende da Política de Integridade do CNPq, da universidade, do curso e do periódico. Identifique a ferramenta, a finalidade e a etapa em que ela foi usada e, sempre que existir, priorize o modelo institucional em vez de um modelo genérico encontrado na internet.
Precisa revisar seu TCC antes da entrega?
Se você utilizou inteligência artificial durante a elaboração do trabalho e tem dúvidas sobre metodologia, referências, coerência acadêmica, estrutura ou adequação às normas da sua instituição, não espere a banca apontar os problemas.
Faça uma revisão técnica antes da entrega e certifique-se de que você consegue justificar as decisões tomadas durante a pesquisa.

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